
Rodrigo Alvares foi um dos cinqüenta blogueiros ao redor do mundo convidado pelo G20VOICE para fazer uma cobertura sobre a última reunião de cúpula do G20 – aquela em Londres, que levou à repercussão do assunto sobre o presidente dos Estados Unidos ter dito que o presidente Lula é “o cara”.
Além do seu blog sobre política, A Nova Corja, ele também colabora para as revistas Rolling Stone , Galileu e para o Global Voices Portuguese.
Pergunta: No seu blog você tem liberdade para escrever o que quiser. Quando se trabalha em uma grande revista, jornal ou outra mídia, é preciso ter mais responsabilidade sobre o que é publicado?
Resposta: Dependendo do que e como tu escreves, essa liberdade é ilusória. Os blogs sofrem um cerco cada vez maior e entre os meus amigos a sensação é de que a “festa” acabou. A responsabilidade sobre o que tu escreves deve estar em cada informação publicada, seja sobre uma receita de culinária ou o câncer da Dilma. A ética do que se publica está além do veículo.
Pergunta: Quando você tem que se submeter a um posicionamento ideológico do veículo para o qual você trabalha, o objetivo principal é transmitir a ideologia nas notícias ou tentar manter o equilíbrio?
Resposta: Já trabalhei em várias redações e nunca me vieram com essa história de posicionamento ideológico. Isso é mais uma filosofia dos jornalistas de esquerda para mascarar o simples fato de que um jornal é um negócio. É claro que se percebe uma preferência por um ou outro político. Não é uma questão de fechar os olhos para a politicagem, mas sim de fazer o teu trabalho – coleta informações, conversa com fontes, cruza dados. Enfim, o básico. Estamos em 2009, não 1989.
Pergunta: Você fez parte dos 50 blogueiros que foram convidados pelo G20VOICE para cobrir o último encontro do G20. Você vê tal fato como um incentivo para a mídia independente?
Resposta: Claro, é uma tendência que só deve crescer nos próximos meses. Infelizmente, vai demorar para que essa mentalidade chegue ao Brasil.
Pergunta: Além do fato de que os blogs são menos vistos do que a televisão, jornais, revistas e até mesmo o rádio, quais os principais obstáculos que um jornalista independente enfrenta ao publicar suas idéias?
Resposta: Isso depende. A grande mídia bebe – e muito – das pautas que alguns blogs levantam. Basta prestar atenção. Os principais problemas aparecem quando tu publicas informações sem ter certeza ou confirmar o que vai ao ar.
Pergunta: No El País, jornal espanhol, os jornalistas tem uma liberdade editorial para escreverem o que bem entenderem. Não há um posicionamento político ou ideológico para se seguir. Apesar de parecer um fato isolado, aqui no Brasil seria possível realizar algo parecido?
Resposta: Essa é outra ilusão que criam nas faculdades de Jornalismo. Mas entendo que por liberdade editorial o repórter tenha confiança de seu editor para escrever do seu jeito, mas sem deixar a objetividade de lado. Isso não acontece no Brasil por causa do baixo nível dos estudantes e formandos em sua maioria – claro que também acontece nos EUA e na Europa, mas lá tu sequer precisa do diploma para ser jornalista.
O DOPS (Departamento de Ordem e Política Social) foi um órgão repressor muito temido pelos subversivos. Lá aconteciam torturas de todos os tipos, entre elas com aparelhos de choque elétrico e pregos. Ele foi criado durante o governo de Getulio Vargas (1937 – 1945), com o objetivo de vigiar e punir políticos quem fosse de oposição, desde intelectuais, jornalistas, comunistas até estudantes e camponeses.
As marcas deixadas nas paredes pelos presos que por ali passaram foram pintadas de cinza-escuro. “Nós não queremos isso, que a história seja esquecida. Nós queremos uma referência das celas do Dops para que elas nos mostrem o que foi aquela época”, criticou, na época da inauguração do museu, o secretário de Cultura do Estado, João Sayad.
Filme: O que é isso, companheiro?
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Estamos sempre presenciando as novas formas de comunicação que surgem com o passar dos anos, mas é fato que a internet foi uma das inovações mais polêmicas até os dias atuais. Há diversas discussões sobre os riscos que a divulgação gratuita de notícias através de sites podem proporcionar ao jornal impresso, levando alguns especialistas até a mencionar o possível desaparecimento deste, devido ao avanço das tecnologias. No ano passado foram comemorados os 200 anos do surgimento da imprensa no Brasil, e neste ano, os 20 anos da criação da internet. As duas datas nos permitem perceber a forma como esse novo meio de comunicação revolucionou, em pouco tempo, o jornalismo que vinha se desenvolvendo por séculos no país.
Livro: Os Jornais Podem Desaparecer?