Ditabranda

“Eu sou um produto da dura. A branda não conheci.”

Dilma Rousseff

Em um editorial, o Jornal Folha de São Paulo usou o termo ‘Ditabranda’ ao se referir à ditadura brasileira. Isso provocou reações de toda a mídia (televisiva – principalmente a Record-, impressa, rádio e blogs) e da população (houve uma manifestação em frente ao prédio da folha com aproximadamente 300 pessoas).

Dias depois, o diretor de redação da Folha, Otávio Frias Filho, deu explicações em um novo editorial, que saiu do acervo do site do jornal:

“O uso da expressão ‘ditabranda’ em no dia 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis. Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.”

Mesmo assim, não se justifica a diminuição da gravidade dos “anos de chumbo”.

Veja o editorial:
“(…) Mas, se as chamadas “ditabrandas” -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente. (…)”

AI- 5

Atos Institucionais eram leis que não passavam pelo congresso e vinham desde o começo do regime militar em 1964. O AI-5 foi quem escancarou a ditadura. Ele centralizava o poder e dava autonomia ao General Costa e Silva de legislar, cassar parlamentares, prender pessoas sem mandatos, intervir nas notícias publicadas pela imprensa, desde  comentários oposicionistas até esconder  surtos de doenças da população. A imprensa nem pôde noticiar o surto de meningite que ocorreu durante o governo do General Médici.

Estação Pinacoteca – DOPS

1O DOPS (Departamento de Ordem e Política Social) foi um órgão repressor muito temido pelos subversivos. Lá aconteciam torturas de todos os tipos, entre elas com aparelhos de choque elétrico e pregos. Ele foi criado durante o governo de Getulio Vargas (1937 – 1945), com o objetivo de vigiar e punir políticos quem fosse de oposição, desde intelectuais, jornalistas, comunistas  até estudantes e camponeses.

Durante os anos de funcionamento do DOPS, 50 mil pessoas foram presas, e mais de 20 mil torturadas. Desde 2004, o prédio abriga a pinacoteca de São Paulo.

2As marcas deixadas nas paredes pelos presos que por ali passaram foram pintadas de cinza-escuro. “Nós não queremos isso, que a história seja esquecida. Nós queremos uma referência das celas do Dops para que elas nos mostrem o que foi aquela época”, criticou, na época da inauguração do museu, o secretário de Cultura do Estado, João Sayad.

  

Indicação

filmeFilme: O que é isso, companheiro?

Filme baseado no livro de Fernando Gabeira, o filme conta a história do MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro), grupo que seqüestra o embaixador norte americano e exige a libertação de vários presos políticos. Com Pedro Cardoso, Fernan da Torres, Luis Fernando Guimarães.

 

Fonte: http://www.unisanta.br/revistavirtual/materias.asp?cd=378

Publicado em: às 24/05/2009 em 14:01  Deixe um comentário  

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