200 anos de imprensa x 20 anos de internet

jornal21Estamos sempre presenciando as novas formas de comunicação que surgem com o passar dos anos, mas é fato que a internet foi uma das inovações mais polêmicas até os dias atuais. Há diversas discussões sobre os riscos que a divulgação gratuita de notícias através de sites podem proporcionar ao jornal impresso, levando alguns especialistas até a mencionar o possível desaparecimento deste, devido ao avanço das tecnologias. No ano passado foram comemorados os 200 anos do surgimento da imprensa no Brasil, e neste ano, os 20 anos da criação da internet. As duas datas nos permitem perceber a forma como esse novo meio de comunicação revolucionou, em pouco tempo, o jornalismo que vinha se desenvolvendo por séculos no país.

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos divulgada no dia 3 de abril mostra que 61% dos entrevistados acreditam que, se os jornais continuarem desaparecendo, a internet será capaz de substituir suas informações. Porém, muitas pessoas ainda não acreditam no fim dos jornais impressos, mas sim nas transformações que provavelmente precisarão sofrer.  

“A Imprensa Nacional tem uma importância, do ponto de vista do papel que ela cumpre hoje, porque é o órgão que oficializa os atos governamentais e, com isso, permite a transparência do governo e a construção da cidadania. Por outro lado, tem uma importância histórica, porque ao surgir, há 200 anos, ela permitiu não só que se criasse, na prática, a indústria no Brasil, como permitiu também que quase 300 anos depois do México tivéssemos livros e jornais no Brasil”, disse o diretor-geral da Imprensa Nacional, Fernando Tolentino de Souza Vieira, na semana de celebração dos 200 da imprensa, em 2008.

Internet e Comunicação

A internet já existia desde a década de 50, porém era restrita à troca de textos por grupos fechados, como organismos militares e instituições acadêmicas. A rede mundial de computadores (World Wide Web, WWW) foi criada por Tim Berners-Lee, cientista europeu, e no mês de março deste ano, completou 20 anos. A invenção de Berners possibilitou que o sistema fosse usado por qualquer pessoa.

Em 1990 havia no Brasil pouco mais 260 usuários, e hoje, segundo pesquisas do Ibope, há cerca de 62,3 milhões de brasileiros com acesso à internet.

A disseminação desse meio revolucionou a estrutura do jornalismo, pois a nova ferramenta tornou o acesso à informação mais rápido e fácil e possibilitou que qualquer usuário pudesse criar um veículo para divulgar suas idéias, como blogs e sites.

A maioria dos jornais impressos também criou sua versão On-line. Neles, as notícias são divulgadas em tempo real, e tal praticidade tem feito com que o meio ganhe a preferência dos leitores. Porém, tanta eficiência pode causar erros informativos, já que dezenas de notícias são divulgadas rapidamente e o risco de haver equívocos é maior. Cabe aos jornalistas apurar melhor as informações divulgadas, e aos leitores o bom senso para analisar a veracidade dos conteúdos publicados.

A internet, desde sua criação em 1989, está em processo de aperfeiçoamento, para trazer maiores benefícios para a sociedade e também para a comunicação. “A internet é uma obra inacabada. Seus arquitetos permitiram que ela fosse reconfigurada pela prática do uso, o que permite a criação de novos formatos e tecnologias. Isso é fantástico!”, afirma o sociólogo e professor da pós-graduação da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, Sérgio Amadeu. Para ele, a rede mundial promoveu uma “profunda alteração na comunicação das sociedades contemporâneas e essa reforma continuará em desenvolvimento”.

 

Indicação:

livro3Livro: Os Jornais Podem Desaparecer?

Autor: Philip Meyer

Editora: Contexto

O livro explica didaticamente como os jornais ganham dinheiro, passa pelo problema dos anunciantes, pela credibilidade, pela reportagem e até pelo papel fundamental dos editores. Reserva um capítulo inteiro para a “salvação” do jornalismo e outro para o que pode, efetivamente, ser feito. É inteligente o suficiente para não menosprezar a internet e é sábio, na igual medida, ao demonstrar que boa parte da herança do velho jornalismo ainda permanece.

Publicado em: às 29/03/2009 em 17:23  Deixe um comentário  

Jornalismo de Serviço: entendendo e analisando

 
“Acredita-se que o jornalismo de serviço ou utilitário tem como base principal a proposta de oferecer a informação que o receptor necessita ou que poderá se tornar necessária a ele em algum momento.”
 

Os serviços prestados pela imprensa surgiram logo na primeira fase do jornalismo. Com a decadência do Sistema Feudal e a aglomeração de pessoas nas cidades, o jornalismo daquela época pode ser considerado como uma ferramenta a favor do Capitalismo, ajudando a tabelar preços, medidas e impostos. Sua evolução constiui-se inicialmente nas Folhas Volantes, que pretendia passar informações que atendessem às necessidades da população, também nas revistas femininas e no momento em que chega às editorias de cultura, economia e guias.

Hoje em dia, o Jornalismo de Serviço tem sua utilidade aplicada diretamente à vida das pessoas. Temos como exemplos mais comuns os indicadores econômicos, previsão de tempo, informações sobre o trânsito, roteiros e guias culturais.

Existe uma grande polêmica sobre o assunto. Para algumas pessoas, o Jornalismo de Serviço é visto como um risco e faz com que os meios de comunicação percam a sua essência e vivam em função da publicidade e consumismo. Assim, cabe aos jornalistas saberem separar o conteúdo jornalístico do publicitário. Para outras, ele é tido como o futuro do jornalismo, pois vai além do real, explica, demonstra e analisa. É uma ferramenta que colabora para a vida das pessoas, é uma ferramenta social.

Na classificação abaixo, apresentada no curso de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo, o pesquisador Marques de Melo (2007) inclui o gênero utilitário do jornalismo:

 

1. Gênero Informativo - Nota, notícia, reportagem, entrevista.

2. Gênero Opinativo – Editorial, comentário, artigo, resenha, coluna, caricatura, carta, crônica

3. Gênero Interpretativo – dossiê, perfil, Enquete, cronologia

4. Gênero Utilitário – indicador, cotação, roteiro, serviço

5. Gênero Diversional - História de Interesse Humano, história colorida 

 

Publicado em: às 01/03/2009 em 11:25  Deixe um comentário  
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