Mídia independente

 
A mídia independente é aquela que não é caracterizada pelo vínculo de compromisso com instituições, anunciantes ou grupos governamentais, e não está sob o controle de grandes veículos de comunicação. Ela busca fornecer informações que promovam o livre pensamento, além de contar com a variedade de opiniões. De uma forma geral, é o tipo de publicação que não procura necessariamente propagar a ideologia de grupos dominantes. Atualmente, os blogs disponíveis na internet estão entre os meios mais utuilizados como forma de praticar a mídia independente. 

rodrigo alvares
O Reduto Imprensa entrevistou o jornalista Rodrigo Alvares sobre Jornalismo Independente.

Rodrigo Alvares foi um dos cinqüenta blogueiros ao redor do mundo convidado pelo G20VOICE para fazer uma cobertura sobre a última reunião de cúpula do G20 – aquela em  Londres,  que levou à repercussão do assunto sobre o presidente dos Estados Unidos ter dito que o presidente Lula é “o cara”.

Além do seu blog sobre política, A Nova Corja, ele também colabora para as revistas Rolling Stone , Galileu e para o Global Voices Portuguese.

Pergunta: No seu blog você tem liberdade para escrever o que quiser. Quando se trabalha em uma grande revista, jornal ou outra mídia, é preciso ter mais responsabilidade sobre o que é publicado?

Resposta: Dependendo do que e como tu escreves, essa liberdade é ilusória. Os blogs sofrem um cerco cada vez maior e entre os meus amigos a sensação é de que a “festa” acabou. A responsabilidade sobre o que tu escreves deve estar em cada informação publicada, seja sobre uma receita de culinária ou o câncer da Dilma. A ética do que se publica está além do veículo.

Pergunta: Quando você tem que se submeter a um posicionamento ideológico do veículo para o qual você trabalha,  o objetivo principal é transmitir a ideologia nas notícias ou tentar manter o equilíbrio?

Resposta: Já trabalhei em várias redações e nunca me vieram com essa história de posicionamento ideológico. Isso é mais uma filosofia dos jornalistas de esquerda para mascarar o simples fato de que um jornal é um negócio. É claro que se percebe uma preferência por um ou outro político. Não é uma questão de fechar os olhos para a politicagem, mas sim de fazer o teu trabalho – coleta informações, conversa com fontes, cruza dados. Enfim, o básico. Estamos em 2009, não 1989.

Pergunta: Você fez parte dos 50 blogueiros que foram convidados pelo G20VOICE para cobrir o último encontro do G20. Você vê tal fato como um incentivo para a mídia independente?

Resposta: Claro, é uma tendência que só deve crescer nos próximos meses. Infelizmente, vai demorar para que essa mentalidade chegue ao Brasil.

Pergunta: Além do fato de que os blogs são  menos vistos do que a televisão, jornais, revistas e até mesmo o rádio, quais os principais obstáculos que um jornalista independente enfrenta ao publicar suas idéias?

Resposta: Isso depende. A grande mídia bebe – e muito – das pautas que alguns blogs levantam. Basta prestar atenção. Os principais problemas aparecem quando tu publicas informações sem ter certeza ou confirmar o que vai ao ar.

Pergunta: No El País, jornal espanhol, os jornalistas tem uma liberdade editorial para escreverem o que bem entenderem. Não há um posicionamento político ou ideológico para se seguir. Apesar de parecer um fato isolado, aqui no Brasil seria possível realizar algo parecido?

Resposta: Essa é outra ilusão que criam nas faculdades de Jornalismo. Mas entendo que por liberdade editorial o repórter tenha confiança de seu editor para escrever do seu jeito, mas sem deixar a objetividade de lado. Isso não acontece no Brasil por causa do baixo nível dos estudantes e formandos em sua maioria – claro que também acontece nos EUA e na Europa, mas lá tu sequer precisa do diploma para ser jornalista.

Published in: on 07/06/2009 at 1:30  Comments (1)  

Ditabranda

“Eu sou um produto da dura. A branda não conheci.”

Dilma Rousseff

Em um editorial, o Jornal Folha de São Paulo usou o termo ‘Ditabranda’ ao se referir à ditadura brasileira. Isso provocou reações de toda a mídia (televisiva – principalmente a Record-, impressa, rádio e blogs) e da população (houve uma manifestação em frente ao prédio da folha com aproximadamente 300 pessoas).

Dias depois, o diretor de redação da Folha, Otávio Frias Filho, deu explicações em um novo editorial, que saiu do acervo do site do jornal:

“O uso da expressão ‘ditabranda’ em no dia 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis. Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.”

Mesmo assim, não se justifica a diminuição da gravidade dos “anos de chumbo”.

Veja o editorial:
“(…) Mas, se as chamadas “ditabrandas” -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente. (…)”

AI- 5

Atos Institucionais eram leis que não passavam pelo congresso e vinham desde o começo do regime militar em 1964. O AI-5 foi quem escancarou a ditadura. Ele centralizava o poder e dava autonomia ao General Costa e Silva de legislar, cassar parlamentares, prender pessoas sem mandatos, intervir nas notícias publicadas pela imprensa, desde  comentários oposicionistas até esconder  surtos de doenças da população. A imprensa nem pôde noticiar o surto de meningite que ocorreu durante o governo do General Médici.

Estação Pinacoteca – DOPS

1O DOPS (Departamento de Ordem e Política Social) foi um órgão repressor muito temido pelos subversivos. Lá aconteciam torturas de todos os tipos, entre elas com aparelhos de choque elétrico e pregos. Ele foi criado durante o governo de Getulio Vargas (1937 – 1945), com o objetivo de vigiar e punir políticos quem fosse de oposição, desde intelectuais, jornalistas, comunistas  até estudantes e camponeses.

Durante os anos de funcionamento do DOPS, 50 mil pessoas foram presas, e mais de 20 mil torturadas. Desde 2004, o prédio abriga a pinacoteca de São Paulo.

2As marcas deixadas nas paredes pelos presos que por ali passaram foram pintadas de cinza-escuro. “Nós não queremos isso, que a história seja esquecida. Nós queremos uma referência das celas do Dops para que elas nos mostrem o que foi aquela época”, criticou, na época da inauguração do museu, o secretário de Cultura do Estado, João Sayad.

  

Indicação

filmeFilme: O que é isso, companheiro?

Filme baseado no livro de Fernando Gabeira, o filme conta a história do MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro), grupo que seqüestra o embaixador norte americano e exige a libertação de vários presos políticos. Com Pedro Cardoso, Fernan da Torres, Luis Fernando Guimarães.

 

Fonte: http://www.unisanta.br/revistavirtual/materias.asp?cd=378

Published in: on 24/05/2009 at 14:01  Deixe um comentário  

Os fatos marcam

Qual é a importância da notícia em nossas vidas? Embora muitos afirmem que as informações são escritas, lidas e esquecidas, não é de se negar que há fatos que marcam. A equipe do Reduto Imprensa realizou pequenas entrevistas nas ruas para saber sobre algumas matérias publicadas pela mídia que causaram polêmica, influenciaram de alguma forma ou estão presentes na memória das pessoas.
 
 

Entrevistada: Patrícia Alves Fernandes, 33 anos, economista
 
Pergunta: Qual notícia publicada na mídia causou grande impacto na sua vida e por quê?
 
Resposta: O envolvimento do jogador Ronaldo com os transexuais, bebidas e drogas. Sem moralismo, mas eu não imaginava um atleta do porte dele, que está sempre com sua imagem na mídia, envolvido em tamanho escândalo, considerando ainda o seu papel no esporte e sua influência na vida social, principalmente na dos jovens.
 
Pergunta: Em qual veículo de comunicação você viu a notícia primeiro?
 
Resposta: Jornal impresso.
 
 
 
Entrevistado: Dalton Kiyai, 23 anos, estudante
 
Pergunta: Qual notícia publicada na mídia causou grande impacto na sua vida e por quê?
 
Resposta: O caso do pai austríaco que manteve a filha Elizabeth aprisionada em um porão durante 24 anos, abusou dela sexualmente e a engravidou. Porque é inacreditável que um ser humano chegue a esse ponto, algo bizarro. Eu não consigo acreditar que uma pessoa tenha sido tão cruel, fria e desumana com a própria filha.
 
Pergunta: Você acha que a mídia esclareceu com precisão o caso? Faltou alguma informação?
 
Resposta: Quando a notícia está no momento, causando impacto, a mídia transmite bem as informações, principalmente se for algo polêmico como esse caso, porque “dar Ibope” é favorável. Mas quando a notícia esfria, a mídia esfria juntamente. Eu sinto a falta de mais informações no decorrer do caso.
 
Pergunta: Em qual veículo de comunicação você viu a notícia primeiro?
 
Resposta: Televisão.

 

Entrevistada: Leodenir Nunes Laurentti, 64 anos, dona de casa
 
Pergunta:
Qual notícia publicada na mídia causou grande impacto na sua vida e por quê?
 
Resposta:
A chegada do homem na Lua, foi algo que teve uma repercussão de nível mundial. Muitas pessoas questionavam se aquilo era verdade ou se era uma montagem. Eu acredito que seja verdade. E outra notícia que me chocou foi a morte do presidente Robert Kennedy, quando atiraram nele. Me lembro dele caindo nos braços da Jacqueline Kennedy e do alvoroço que foi.
 
Pergunta:
Em qual veículo de comunicação você viu a notícia primeiro?
 
Resposta:
Os dois fatos na televisão em preto e branco.

Published in: on 10/05/2009 at 16:41  Comments (2)  

Imparcialidade jornalística

“Deus não nos deu o dom da imparcialidade.”

Ancelmo Gois, colunista do Globo e comentarista da TVE, em entrevista para o site Canal da Imprensa
 


O vídeo exibe a apresentadora Salete Lemos, que foi demitida do veículo de comunicação em que trabalhava. Ao passar a notícia, Salete torna clara a sua opinião sobre o assunto da reportagem, utilizando interjeições, gestos, escolha de frases e forte entonação em determinadas palavras ou sílabas.
 
Informar, formar opinião pública e avitar assumir posições diante dos assuntos discutidos em cada matéria são conceitos básicos que todos os jornalistas precisam buscar. Porém, a famosa imparcialidade, que deve estar sempre presente na imprensa, é vista por muitos como algo inexistente, já que o próprio profissinal de comunicação permite transparecer seu ponto de vista em suas redações através da forma de se expressar, das palavras selecionadas ou da ênfase que atribui a determinados assuntos. Há quem acredite que a mídia não consegue ser neutra e, no entanto, quem defenda a fiel reprodução dos fatos. A verdade é que as pessoas que ali escrevem, editam e publicam também possuem suas ideologias, as quais tentam não deixar ter alguma influência em seu trabalho jornalístico.

O ponto de vista de um jornalista pode ser dado por diferentes modos, desde a opinião postada em blogs, alguma coluna, crítica direta, ou até mesmo dentro da própria reportagem, onde costuma ser mais sutil e aparecer nas entrelinhas. A utilização das palavras, as frases e os entrevistados escolhidos determinam a opinião implícita.

gilmarmendes-stf2Temos como exemplo o caso da discussão de dois ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de 23 de abril. A Folha de São Paulo publicou no dia seguinte uma reportagem que usava termos como “recusou-se a dar entrevista” ao explicar que o ministro Gilmar Mendes não queria falar sobre o assunto. Além disso, dentro da própria reportagem, a expressão “A Folha apurou que(…)” foi utilizada três vezes: uma para dizer que o ministro Joaquim Barbosa não se arrependeu da discussão, outra para afirmar que o que ele disse foi apenas uma reação à maneira como se sentia tratado por Gilmar Mendes, e a última para dizer que a intenção de Joaquim Barbosa era demonstrar ao ministro Gilmar Mendes que não aceitaria ser tratado de maneira inferior quanto aos demais magistrados. Assim, a matéria mostrou apenas pontos favoráveis ao ministro Joaquim Barbosa.ministro-joaquim-barbosa-stf-08-20082

Published in: on 26/04/2009 at 12:39  Comments (2)  

O Jornalismo Literário

“O Jornalismo Literário é um estilo que une o texto jornalístico à literatura, com o objetivo de produzir reportagens mais profundas, amplas e detalhistas, com uma postura ética e humanizada.”

Ana Lucia Santana
 
 
Após surgir na Europa no século XIX, esse ramo do jornalismo se caracterzou por ter uma subjetividade que contrapõe a extrema objetividade do lead. Foge do noticiário superficial e busca informações capazes de enriquecer as matérias cotidianas e entreter o leitor. Apesar de muitas vezes apresentar um ponto de vista autoral na realidade, é praticado com responsabilidade e princípios morais. 

Criada em 1966, a Revista Realidade, do Grupo Abril, foi uma das pioneiras dessa modalidade jornalística no Brasil, contendo reportagens muito bem produzidas e textos atraentes. Ela foi inspirada no movimento dos Estados Unidos entre os anos 60 e 70, o New Journalism. Nomes de destaque brilharam nesta especialidade, como Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer, Joseph Mitchel, entre outros. 
 
O Jornalismo Literário atrai principalmente aqueles que procuram compreender mais profundamente os fatos ocorridos. No vídeo abaixo, o jornalista e escritor Humberto Werneck critica a falta de boas informações e de reportagens bem desenvolvidas na imprensa atual.

Indicação

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Livro: Jornalismo Literário

Autor: Felipe Pena

Editora: Contexto

Felipe Pena destaca alguns subgêneros em que se pode exercer o jornalismo literário, como crítica literária e biografia, e discute o limite entre ficção e realidade.

Published in: on 12/04/2009 at 13:47  Deixe um comentário  

200 anos de imprensa x 20 anos de internet

jornal21Estamos sempre presenciando as novas formas de comunicação que surgem com o passar dos anos, mas é fato que a internet foi uma das inovações mais polêmicas até os dias atuais. Há diversas discussões sobre os riscos que a divulgação gratuita de notícias através de sites podem proporcionar ao jornal impresso, levando alguns especialistas até a mencionar o possível desaparecimento deste, devido ao avanço das tecnologias. No ano passado foram comemorados os 200 anos do surgimento da imprensa no Brasil, e neste ano, os 20 anos da criação da internet. As duas datas nos permitem perceber a forma como esse novo meio de comunicação revolucionou, em pouco tempo, o jornalismo que vinha se desenvolvendo por séculos no país.

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos divulgada no dia 3 de abril mostra que 61% dos entrevistados acreditam que, se os jornais continuarem desaparecendo, a internet será capaz de substituir suas informações. Porém, muitas pessoas ainda não acreditam no fim dos jornais impressos, mas sim nas transformações que provavelmente precisarão sofrer.  

“A Imprensa Nacional tem uma importância, do ponto de vista do papel que ela cumpre hoje, porque é o órgão que oficializa os atos governamentais e, com isso, permite a transparência do governo e a construção da cidadania. Por outro lado, tem uma importância histórica, porque ao surgir, há 200 anos, ela permitiu não só que se criasse, na prática, a indústria no Brasil, como permitiu também que quase 300 anos depois do México tivéssemos livros e jornais no Brasil”, disse o diretor-geral da Imprensa Nacional, Fernando Tolentino de Souza Vieira, na semana de celebração dos 200 da imprensa, em 2008.

Internet e Comunicação

A internet já existia desde a década de 50, porém era restrita à troca de textos por grupos fechados, como organismos militares e instituições acadêmicas. A rede mundial de computadores (World Wide Web, WWW) foi criada por Tim Berners-Lee, cientista europeu, e no mês de março deste ano, completou 20 anos. A invenção de Berners possibilitou que o sistema fosse usado por qualquer pessoa.

Em 1990 havia no Brasil pouco mais 260 usuários, e hoje, segundo pesquisas do Ibope, há cerca de 62,3 milhões de brasileiros com acesso à internet.

A disseminação desse meio revolucionou a estrutura do jornalismo, pois a nova ferramenta tornou o acesso à informação mais rápido e fácil e possibilitou que qualquer usuário pudesse criar um veículo para divulgar suas idéias, como blogs e sites.

A maioria dos jornais impressos também criou sua versão On-line. Neles, as notícias são divulgadas em tempo real, e tal praticidade tem feito com que o meio ganhe a preferência dos leitores. Porém, tanta eficiência pode causar erros informativos, já que dezenas de notícias são divulgadas rapidamente e o risco de haver equívocos é maior. Cabe aos jornalistas apurar melhor as informações divulgadas, e aos leitores o bom senso para analisar a veracidade dos conteúdos publicados.

A internet, desde sua criação em 1989, está em processo de aperfeiçoamento, para trazer maiores benefícios para a sociedade e também para a comunicação. “A internet é uma obra inacabada. Seus arquitetos permitiram que ela fosse reconfigurada pela prática do uso, o que permite a criação de novos formatos e tecnologias. Isso é fantástico!”, afirma o sociólogo e professor da pós-graduação da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, Sérgio Amadeu. Para ele, a rede mundial promoveu uma “profunda alteração na comunicação das sociedades contemporâneas e essa reforma continuará em desenvolvimento”.

 

Indicação:

livro3Livro: Os Jornais Podem Desaparecer?

Autor: Philip Meyer

Editora: Contexto

O livro explica didaticamente como os jornais ganham dinheiro, passa pelo problema dos anunciantes, pela credibilidade, pela reportagem e até pelo papel fundamental dos editores. Reserva um capítulo inteiro para a “salvação” do jornalismo e outro para o que pode, efetivamente, ser feito. É inteligente o suficiente para não menosprezar a internet e é sábio, na igual medida, ao demonstrar que boa parte da herança do velho jornalismo ainda permanece.

Published in: on 29/03/2009 at 17:23  Deixe um comentário  

O desenvolvimento e a influência da imprensa

 

Ao longo do tempo, a imprensa, o Jornalismo de Serviço e as novas tecnologias de informação se desenvolveram e tiveram grande influência em determinados momentos importantes da história. Para discutirmos esse assunto, realizamos uma entrevista informal com o professor Edélcio Plenas, formado em Hisória e Filosofia pela Universidade de São Paulo.

 

Entrevista com Edélcio Plenas

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Durante a entrevista, o professor  destacou a importância e os obstáculos da imprensa em determinados fatos históricos do Brasil e do mundo, como a Revolução Francesa, as mais variadas  guerras e a época da Ditadura Militar no país. Os próximos textos explicam melhor o papel da comunicação em cada um desses períodos.

A imprensa durante a Revolução Francesa

Na época da Revolução Francesa, o jornalismo lutava pelos direitos humanos enquanto  a Aristocracia era destituída, as Monarquias tinham seu fim e o Sistema Absolutista era abolido. Com a desconstrução do poder instituído pela Igreja, o aparecimento do jornalismo tornou-se ainda mais marcante, pois passou a ser praticado pelos ditos intelectuais, que tinham como objetivo denunciar os abusos políticos e militares da época, além de buscarem dar um ritmo acelerado aos acontecimentos.

A função da imprensa na difusão das notícias e dos reflexos da Revolução foi muito importante: rapidamente, e em liberdade estritamente vigiada, eram difundidos os acontecimentos da França nas zonas anexadas. Entre as produções jornalísticas da época, distingue-se três grandes blocos: a imprensa diária de informação, as folhas revolucionárias e a imprensa de extrema direita.

 A Revolução Francesa, além de ter modificado radicalmente os conteúdos da imprensa, deu-lhe um impulso quantitativo muito grande. Pela primeira vez foram postos em prática os princípios da liberdade de imprensa, ainda que de forma limitada, e consolidou-se a Imprensa Política.

A imprensa e as guerras 

William Howard Russell trabalhava para o jornal The Times, de Londres, e foi o primeiro correspondente de guerra, iniciando na Criméia, em 1854. Suas reportagens sobre a desorganização e desastres da guerra expunham o exército britânico, pela primeira vez, a críticas independentes. Porém, em 1856, foi expedida pelo comandante inglês uma ordem geral que proibia a publicação de detalhes de valor para o inimigo. Ou seja, foi estabelecida o que hoje chamamos de censura militar.

Na Guerra Civil Americana, graças ao novo meio de comunicação da época, o telégrafo, os leitores podiam acompanhar todos os acontecimentos da guerra. Entretanto, devido à concorrência dos jornais, a cobertura da guerra era distorcida com exageros, calúnias e relatos sensacionalistas e fictícios.

Apesar das experiências da Criméia e da Guerra Civil Americana, os militares levaram algum tempo para compreender o poder que a imprensa tinha junto à opinião pública. Mas o alemão Bismarck, durante a Guerra Franco-prussiana, já afirmava que a publicação dos exércitos no campo de batalha em jornais influentes seria uma atitude favorável para a posição política da Alemanha na época.

As censuras sofridas pela imprensa

A liberdade de expressão está diretamente ligada a toda forma de comunicação, e pertence à história da imprensa no Brasil, marcada por momentos de censuras e conquistas. Houve uma longa jornada histórica, iniciada pela proibição da impressão enquanto o Brasil era somente uma colônia portuguesa. Mas o fato marcante foi chegada da família real em 1808, quando, consequentemente, nasceu a imprensa no país. Porém,  essa ainda foi censurada durante um longo período, quando surgia o primeiro jornal no Brasil, A Gazeta do Rio de Janeiro.

Na censura, o governo tem autonomia para selecionar  seus assuntos de interesse que devem ser de conhecimento público, enquanto outros assuntos são censurados para preservar o segredo do Estado. A história da censura se inicia quando esta é imposta para a Gazeta, passando pelo período Republicano, que foi marcado por atentados à liberdade de imprensa e durante o Regime Militar.

No período da Ditadura Militar, a censura era executada por agentes da Polícia Federal, que controlava a conduta brasileira através do que seria publicado nos veículos de comunicação. Programas de TV e Rádio eram obrigatoriamente vigiados por um grupo de censores,  para que pudessem indicar o que não poderia ser divulgado.

Published in: on 15/03/2009 at 13:10  Comments (1)  

Jornalismo de Serviço: entendendo e analisando

 
“Acredita-se que o jornalismo de serviço ou utilitário tem como base principal a proposta de oferecer a informação que o receptor necessita ou que poderá se tornar necessária a ele em algum momento.”
 

Os serviços prestados pela imprensa surgiram logo na primeira fase do jornalismo. Com a decadência do Sistema Feudal e a aglomeração de pessoas nas cidades, o jornalismo daquela época pode ser considerado como uma ferramenta a favor do Capitalismo, ajudando a tabelar preços, medidas e impostos. Sua evolução constiui-se inicialmente nas Folhas Volantes, que pretendia passar informações que atendessem às necessidades da população, também nas revistas femininas e no momento em que chega às editorias de cultura, economia e guias.

Hoje em dia, o Jornalismo de Serviço tem sua utilidade aplicada diretamente à vida das pessoas. Temos como exemplos mais comuns os indicadores econômicos, previsão de tempo, informações sobre o trânsito, roteiros e guias culturais.

Existe uma grande polêmica sobre o assunto. Para algumas pessoas, o Jornalismo de Serviço é visto como um risco e faz com que os meios de comunicação percam a sua essência e vivam em função da publicidade e consumismo. Assim, cabe aos jornalistas saberem separar o conteúdo jornalístico do publicitário. Para outras, ele é tido como o futuro do jornalismo, pois vai além do real, explica, demonstra e analisa. É uma ferramenta que colabora para a vida das pessoas, é uma ferramenta social.

Na classificação abaixo, apresentada no curso de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo, o pesquisador Marques de Melo (2007) inclui o gênero utilitário do jornalismo:

 

1. Gênero Informativo – Nota, notícia, reportagem, entrevista.

2. Gênero Opinativo – Editorial, comentário, artigo, resenha, coluna, caricatura, carta, crônica

3. Gênero Interpretativo – dossiê, perfil, Enquete, cronologia

4. Gênero Utilitário – indicador, cotação, roteiro, serviço

5. Gênero Diversional – História de Interesse Humano, história colorida 

 

Published in: on 01/03/2009 at 11:25  Deixe um comentário